Liderança com foco em Coaching e Inovação

Autora: Mariana Silva Rodrigues
MBA em Coaching e Inovação – PUC Minas
Liderança com foco em Coaching e Inovação
Belo Horizonte, 1° de maio de 2019
Resenha – Gerenciamento de Pessoas – Conceito, evolução e perspectivas atuais (Iris B. Goulart)
Goulart inicia sua abordagem com uma contextualização histórica da Administração, qual foi a sua origem, seus primeiros formatos de atuação e como o seu conceito foi se ampliando e abarcando outras áreas do conhecimento ao longo do tempo. Segundo a autora, o motivo do surgimento da “gerência” foi a necessidade de controle dos processos de produção, mais especificamente durante a II Revolução Industrial. Era necessário produzir em massa, com o menor preço e garantir que os empregados estivessem oferendo o máximo do seu trabalho. Neste contexto surgia a Administração de Recursos Humanos, um dos braços da Administração.
Neste panorama de mudança de uma sociedade de manufatura para uma sociedade industrial, surgiram as teorias clássicas da Administração na busca de uma organização formal para produzir bens ou prestar serviços de maneira eficiente. Este processo inicia-se na Europa, mais precisamente na Grã-Bretanha, e posteriormente alcança os Estados Unidos. A Revolução Industrial no Brasil só chegou com um atraso de 50 a 100 anos. Baseada em Wilson Cano, Goulart atribui este atraso ao conservadorismo de nossas elites, à sociedade eminentemente rural, de base escravista, e à falta de condições do Estado para integrar-se numa política de industrialização.
Dentre as teorias clássicas surgidas entre os séculos XIX e XX, destaca-se Henry Ford e seu conceito de produção em série e redução de custos através da padronização. Frederick Taylor pregava que a motivação humana no trabalho poderia ser manipulada, por isso propunha um sistema de pagamento por unidade produzida ou sistema de tarefa. Henri Fayol ficou famoso por sua concepção das funções do administrador: planejar, organizar, coordenar, comandar e controlar. Na mesma conjuntura surgiu o conceito de “burocracia” de Max Weber, para ele a mais eficiente forma de organização social: lógica, impessoal e racional. As teorias administrativas e burocráticas até então estavam pouco preocupadas com os aspectos humanos das organizações.
Foi então que um novo movimento começou a acontecer e a Escola de Relações Humanas mudou o foco da tarefa para o homem. Goulart afirma que “a partir das ideias da nova escola, emergiram estudos sobre motivação, liderança, coesão grupal e seus efeitos sobre o trabalho
Mariana Silva Rodrigues
MBA em Coaching e Inovação – PUC Minas
Liderança com foco em Coaching e Inovação
Belo Horizonte, 1° de maio de 2019
nas organizações”. Nesta época destacam-se os trabalhos de Moreno, Kurt Lewin, Maslow,
Herzberg e McClelland.
Emergiram, ainda, no final da década de cinquenta, a teoria sistêmica e a teoria da contingência,
ambas concentradas na interação da organização e das pessoas com o ambiente.
Já na década de 90 do século XX é que um novo movimento começou a se desenrolar. Na
chamada Era do Conhecimento a ênfase se deslocou do capital financeiro para o capital humano.
A valorização do elemento humano como um recurso estratégico caminha junto com a
horizontalização das estruturas organizacionais e a gestão participativa. Também neste sentido
o termo Administração de Recursos Humanos vem sendo substituído por Gestão de Pessoas. De
acordo com a autora, “o grande desafio dos novos modelos de gestão de pessoas consiste,
portanto, em conseguir um ajuste ideal entre incremento da produtividade no novo cenário
econômico e atendimento à qualidade de vida do trabalhador”.
Após traçar todo o percurso do surgimento da Administração até a compreensão atual da
Gestão de Pessoas, Goulart afirma que a reposta ao desafio de hoje requer uma base educativa.
Acredito ainda, que estamos diante de um cenário totalmente novo e diferente de tudo que já
se viu na história da Administração. Ao mesmo tempo em que há uma demanda pela velocidade
de produção diante da alta competitividade, existe um movimento de reflexão e de redução da
velocidade em busca de maior sentido. Mesmo que este movimento ainda seja pequeno, a Era
do Conhecimento trouxe maior consciência para as pessoas e elas aos poucos estão mais
preocupadas com os aspectos obscuros ligados à produção e às organizações em si. O acesso à
informação trouxe mais um desafio aos gestores das empresas, tanto do ponto de vista do
funcionário quanto do consumidor. Bons exemplos são os escândalos de marcas que utilizavam
trabalho escravo na sua produção. As consequências dessa informação atingem tanto a
estrutura interna da empresa quanto todo o mercado consumidor, que está atento aos impactos
do seu consumo.
O desafio à Gestão de Pessoas, portanto, é multifacetado e exige uma profunda observação e
reflexão sobre os rumos que a humanidade está tomando e para onde as pessoas estão olhando.
Talvez a grande evolução esteja justamente em se aproximar mais do aspecto humano do ser.
Os movimentos “slow” (food, fashion, beauty, etc.) estão aí para provar que as pessoas estão
cansadas dessa velocidade irracional. O caminho não está em negar a evolução, mas em aliar
toda a tecnologia e desenvolvimento à natureza intrínseca do ser humano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *